Quanto tempo aguardar para uma cirurgia plástica após a Covid?

Atualizado: 30 de mar. de 2021

Um dos critérios para considerar uma pessoa curada da COVID-19 é o período de 10-14 dias após o início da doença. Além disso, ela deve estar assintomática e estável do ponto de vista clínico. Mas somente isso não significa que estes pacientes possam se expor rapidamente a uma cirurgia eletiva - aquelas sem caráter de emergência. Até porque algumas pessoas podem apresentar sequelas após a resolução da doença.



Para quem já enfrentou o novo coronavírus e se recuperou, o pré-operatório para uma cirurgia plástica deve ser feito ainda com mais cuidado. Esse é o momento em que o profissional realiza uma investigação completa, a fim de avaliar se há riscos iminentes, como:


  • Histórico de doenças, cirurgias anteriores e existência de complicações;

  • Algum tipo de alergia ou reação à anestesia;

  • Uso de anticoncepcionais orais ou outro medicamento de uso regular que possam aumentar o risco de trombose ou outras intercorrências;

  • Consumo de drogas e outros hábitos não saudáveis, como o tabagismo.


Por que a cirurgia após a Covid pode trazer mais riscos?


Aos poucos, a classe médica e científica toma conhecimento do potencial agressivo da doença e das lesões causadas em órgãos e tecidos. Evidências apontam para um maior risco de complicações em pessoas que desenvolveram quadros graves da COVID-19.


Foram relatadas sequelas como: fibrose pulmonar (que enrijece e reduz o tamanho dos pulmões), fraqueza muscular prolongada, danos neurológicos e alterações em órgãos como o coração e os rins.


Por isso, um pré-cirúrgico detalhado com um profissional capacitado ganhou ainda mais importância. Todas as complicações citadas acima devem ser investigadas a fundo por meio dos exames complementares mais adequados para cada situação. A partir desta avaliação será possível decidir se a cirurgia poderá ocorrer ou não.


Tempo sugerido

Os critérios recomendados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para cirurgias eletivas em pacientes que se recuperaram da Covid-19 se baseiam tanto nos sintomas como na gravidade da doença.

  • Quatro semanas para um paciente assintomático ou após a recuperação de sintomas leves, não respiratórios;

  • Seis semanas para um paciente sintomático (ex: tosse, dispneia) que não necessitou de internação;

  • Oito a dez semanas para um paciente sintomático que é diabético e está imunocomprometido ou ficou hospitalizado;

  • Doze semanas para um paciente que deu entrada na UTI devido à Covid-19.

Estes tempos não são considerados definitivos. A avaliação de risco pré-operatório deve ser individualizada e considerar a intensidade do trauma cirúrgico.


Pós-cirúrgico


Em tempos de pandemia, tanto os médicos quanto os pacientes precisam redobrar a atenção nos cuidados após a cirurgia, principalmente aqueles que ainda não foram infectados.


A ciência ainda não consegue afirmar se a imunidade após a cura da doença é duradoura ou quanto tempo ficamos “protegidos” com os anticorpos. Existe ainda a preocupação com as novas variantes do vírus, bem como a possibilidade de reinfecção. Mesmo com a vacina, as recomendações de prevenção permanecem até segunda ordem.


Lembre-se que o paciente submetido a um procedimento cirúrgico recente apresenta uma "queda" no seu sistema imunológico, o qual estará comprometido em promover a recuperação corporal após o trauma sofrido pela cirurgia.


Assim, para operar com segurança, procure um cirurgião capacitado, faça um pré operatório adequado e siga todos os cuidados que forem orientados. A sua saúde está em primeiro lugar!